13 Reasons Why we choose Social Media

Há uma semana atrás fui arrebatada pela série 13 Reasons Why e por isso, vi-me obrigada a fazer uma pausa no meu “alinhamento” de posts para este blog. Baseada no best seller de Jay Asher, 13 Reasons Why é uma série produzida pela Netflix que nos oferece a trágica história de Hannah Baker, uma adolescente que desiste de viver por 13 razões que deixa contadas em 13 cassetes, para que todos os envolvidos possam ouvir a sua história. Uma história cativante, que faz o espetador querer ver o próximo episódio – ou neste caso, ouvir a próxima cassete – e eu, não fui exceção. De facto, desde que terminei de assistir a esta série, não consegui ver mais nada e só queria que o livro que deu origem à série chegasse depressa (encomendei-o assim que acabei de ouvir a última cassete deixada pela Hannah).

Querido Leitor, descanse que não me tornei crítica de séries ou filmes, este artigo é um elogio à série sim, mas acima de tudo, um elogio à utilização do Social Media para promover a série – ao invés de criarem apenas um perfil para a série como é natural, foram criados perfis de Instagram para todas as personagens, sendo que apenas o da personagem principal Hannah Baker é aberto ao público. O perfil de Hannah tem fotografias e vídeos com os outros personagens e, um pormenor que achei interessante, a última fotografia apresentada no perfil da Hannah data do dia de lançamento da série – 31 de março – a data em que, efetivamente, Hannah Baker morreu para o público. Tanto no Facebook, como no Instagram, Twitter e Tumblr foram criadas conversas, snaps, video chamadas, fotografias, tudo o que tornasse as personagens reais e assim, mais próximas do público.887ff26aa03944a19bde40a739c13409

De seguida, apresento 13 Razões pelas quais a estratégia de Social Media de 13 Reasons Why foi tão bem escolhida:

Cassete 1: Lado A – Estratégia totalmente adequada ao target pretendido, para uma história que aborda as consequências de temas tão difíceis – como o bullying, a agressão sexual, o suicídio na adolescência – a melhor forma de consciencializar os adolescentes de que esta série está aqui é através das redes sociais. Foi sem dúvida, a melhor escolha de canal tanto para divulgação da série como para promoção da história e para interação com os espetadores.

Cassete 1: Lado B – O fator realidade – com a criação de perfis e de conteúdos adequados a cada personagem e à própria série, as personagens passam da ficção para o contexto real. Uma excelente forma de dizer que, apesar de ser uma história fictícia, aborda temas reais, com consequências ainda mais reais.

Cassete 2: Lado A – A produção de conteúdos como fotografias de gru88917d90e6b04b3e83a308013c084437po, selfies, boomerangs, conversas através de mensagens, snaps ou o facetime, são exemplos do que poderia ser a vida social de uma adolescente como Hannah Baker e as restantes personagens. Atribuem o lado humano às personagens, tornam-nas mais palpáveis aos olhos do público. É comum encontrarmos perfis de Instagram por exemplo, criados por fãs com conversas fictícias entre personagens, mas o facto de ser a própria produção da série a criar esses conteúdos, eleva as personagens a outro nível, tornando as suas histórias mais verídicas.

Cassete 2: Lado B – Alguns pormenores que não foram tão abordados na série mostram outro lado das personagens. Algumas mensagens e conversas escritas pelas personagens e partilhadas nas redes sociais, mostram que afinal nem tudo o que parece é, e que há sempre vários lados de cada história – uma lição importante que se retira da história.

Cassete 3: Lado A – Apenas o perfil de Hannah Baker ser público – a criação de conteúdo relevante e característica para todas as personagens seria incomportável. A escolha pela Hannah Baker e os conteúdos partilhados por esta fazem todo o sentido para o caminho que a personagem percorre na série. 

Cassete 3: Lado B – O perfil de Hannah Baker está excelentemente bem estruturado – como de uma adolescente feliz passou para uma adolescente a “gritar” por ajuda. 

Cassete 4: Lado A – Apesar de apenas o perfil de Hannah ser público, todos os perfis das restantes personagens têm uma descrição e nome de utilizador extremamente adequados às personalidades de cada uma, como verificamos ao ver a série.

Cassete 4: Lado B – A consciencialização – muitas vezes os posts de adolescentes são ignorados, mas pode ser a única forma que os adolescente encontram de se exprimir e até mesmo de pedir ajuda.

Cassete 5: Lado A – A criação de perfis para todas as personagens mostra como, qualquer adolescente – seja ele apenas um estudante normal, uma rapariga com problemas com o álcool, um rapaz sem pai constantemente agredido psicologicamente pela mãe, um stalker, um agressor sexual, uma adolescente com pensamentos suicidas – está presente nas redes sociais. Todos os adolescentes têm perfis sociais, independentemente do background de cada um, e é cada vez mais importante saber ler os sinais passados pelos mesmos.

Cassete 5: Lado B – As redes sociais também foram bem utilizadas pelos atores, e é preciso tirar o chapéu – uma semana antes da série começar cada ator postou uma fotografia sua enquanto personagem, com uma frase característica a cada personagem – “Why would a dead girl lie?”, “You were the begining of the end”, “How do you live with yourself?”, entre outras.

Cassete 6: Lado A – The silver lining. Sim, é uma história triste de uma rapariga com a vida pela frente que desiste de tudo. A história de como tudo afeNova Imagemta tudo, e de como as pessoas ao redor da Hannah sofreram e tiveram de encontrar a sua própria maneira de lidar com a sua morte, e com as suas cassetes. É uma história triste mas, sem querer ser spoiler, é uma história com uma silver lining no final, e também no Social Media houve investimento numa silver lining – foi criado o movimento #ReasonsWhyYouMatter pela série, pelos atores, pelos produtores, por toda a equipa. Um movimento que serve de apoio a todas as pessoas, e especialmente aos adolescentes, que se encontram numa situação parecida a de Hannah Baker. Se o esforço para contar uma história tão difícil como a de Hannah é de louvar, o esforço por não querer que esta se repita é, ainda mais, de admiração máxima.

Cassete 6: Lado B – A aposta na prevenção. 13 Reasons Why conta uma história aberta de uma rapariga que quer e comete suicídio. Ao longo da série, e pela análise do perfil de Instagram da personagem, vemos como Hannah perde a esperança, ao sentir o seu coração, espírito e alma serem quebrados ao longo da jornada que as 13 cassetes contam. No entanto, todas as contas sociais da série remetem para a prevenção e para a procura de ajuda, foi inclusive criada uma página – 13reasonswhy.info – para que, quem sente que precisa de ajuda possa entrar nessa página e, ao colocar a informação do país em que se encontra, é imediatamente remetido para a linha de apoio ao suicídio de cada país.

Cassete 7: Lado A – Everything afects everything. Esta é a grande mensagem transmitida pela série, e, apesar de estarmos a entrar na era no efémero com as tão faladas stories, é isso que acontece com o social media. Tudo afeta tudo – no caso das marcas, todos os posts devem ser pensados ao milímetro de modo a criarem o engagement certo e a chegarem à audiência pretendida. A nível pessoal, é necessário ter cuidado com aquilo que se expõe e se partilha. Uma vez online, sempre online – basta um print para o considerado efémero durar para sempre. Everything afects everything.

A aposta no Social Media por parte da equipa de 13 Reasons Why mostra como este oferece meios para tantos fins – divulgação, promoção, construção de personagens, interação, ajuda e apoio.

 

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